
Este trabalho tem por finalidade fazer uma explanação breve de alguns pontos do pensamento dinamarquês, do filósofo Kierkegaard. Mas para entendermos melhor essa trajetória que este pensador percorreu, é conveniente que conheçamos um pouco a sua biografia, isto porque, a sua filosofia é necessariamente elaborada a partir da sua vivência real, pois ele buscou em si mesmo os elementos essenciais que o ajudassem na sua compreensão de si como homem singular. Ler as obras deste autor é adentrar em sua própria existência. Dentre muitos filósofos, Kierkegaard deve ser o único que realmente conciliou vida e obras. Seus livros são na verdade uma descrição do modo de vida que ele viveu. Seus pseudônimos são uma mostra visível dessa relação que há entre a sua existência e a sua escrita filosófica. Como também a sua relação com o seu pai e seu noivado com Regina marcam toda a sua produção intelectual.
Queremos iniciar este trabalho com um questionamento que nos veio ao longo dos estudos dos estágios existenciais e da biografia do autor dinamarquês. É sabido por todos os seus leitores que Kierkegaard compreendia sua vida pessoal profundamente marcada pelas escolhas que seu pai havia feito, principalmente, porque sua mãe – antes empregada da família – tornou-se a segunda esposa de Michael Pedersen Kierkegaard, após a morte de sua primeira mulher. Mediante esse episódio, a atmosfera de culpabilidade religiosa e a melancolia de seu pai, o filósofo vivia sob a consciência de culpa. Ao falar da morte paterna, ele a interpretou “como uma espécie de sacrifício feito em seu favor, de modo que fosse possível que eu me tornasse algo” (GARDINER, 2001: 14).
Partindo do ponto de vista desse dinamarquês nos propomos a fazer uma indagação relevante, considerando, sobretudo sua afirmação no Diário de 1844, de que “algum dia, não somente meus escritos, mas até a minha vida e todo o complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados”. Assim, a sua obra Temor e Tremor, discorrida no elogio sobre Abraão, não seria uma releitura de Johannes de Silentio sobre a vida do próprio Kierkegaard, tentando, de uma forma pseudonímica, explicar os vários estágios que esse filósofo viveu até sua auto-compreensão como homem subjetivo, ou até mesmo como indivíduo religioso? Fica aí o nosso questionamento levantado, e que alguém possa ter a paixão necessária para discorrer sobre o assunto, pois a nós nos basta até o momento dizer o que já foi escrito nas linhas anteriores desse trabalho.
Esse autor é considerado por alguns intérpretes como o grande precursor da filosofia existencialista. Essa corrente de pensamento emergiu no século XIX, especificamente nas décadas de 30 e 40. O presente filósofo nasceu em Copenhague, no dia 05 de maio de 1813. Sétimo e último filho de Michael Pedersen Kierkegaard e Anne Srensdatter Lund. Em 1823 nasce a sua futura noiva e amada, Regina Olsen, com a qual não contraiu matrimônio. Em outubro de 1830, Kierkegaard matricula-se na Universidade. Inscreve-se na guarda real, sétima companhia, onde é recusado por incapacidade física. A morte repentina do pai, em 1838, produziu em Kierkegaard um impacto emocional.
Em 1841, Soren devolve o anel de noivado a Regina. Em outubro do mesmo ano rompe definitivamente com sua noiva, viajando para Berlim. Esse rompimento se deu por ele achar impossível fazer uma mulher feliz, mas, mais do que isso, dá-se como decisão de uma conseqüência vocacional filosófica e religiosa. O seu noivado com Regina Olsen desempenhou um papel central no desenvolvimento de sua vida pessoal e/ou intelectual. No ano de 1843 tem conhecimento do noivado de Regina com Fritz Schlegel. Em 1845 Kierkegaard trava uma luta local com o jornal “O Corsário” que o humilha publicamente com publicações difamatórias, obrigando-o a utilizar alguns pseudônimos. Em 1855 morre Kierkegaard, um dos maiores pensadores da história da filosofia, seu sepultamento se dá no dia 18 de novembro. (Extraido do TCC apresentado a UNIFAI em DEZ-2009)
Nenhum comentário:
Postar um comentário